quarta-feira, 17 de março de 2021

Tudo Passa, uma cartografia da depressão

O ANO QUE NÃO TERMINOU

Capítulo 1

O início do ano de 2012 foi muito feliz. Eu e meu filho fizemos três viagens nessas férias. A primeira foi para a casa de veraneio dos meus pais. A segunda, para um hotel fazenda com um dos meus irmãos e os filhos dele. E a última, para a região dos lagos na casa do pai do meu filho. Foi um mês em que não pensei em nada a não ser relaxar, brincar e viver. Acreditava que aquela energia boa e sadia das férias iria afastar alguns medos do passado.

Desde meados de 2011, já sentia que um pensamento queria me tirar a paz. A primeira vez que ele apareceu, era uma noite qualquer de julho e eu estava sentada no sofá da minha casa. Tinha nas mãos um livro espírita para ler. De repente, como se fosse um ratinho cruzando o corredor à minha frente, rápido e ligeiro, percebi um pensamento passando na mesma velocidade pela minha cabeça. Mas, não só o percebi, como também o observei sentada, ali de onde estava, e fiquei alguns segundos pensando sobre ele. Não achei respostas. Era uma frase só. Apenas uma frase que correu pela minha frente sem se preocupar se daria tempo de vê-la. Mas eu a vi. A li. Essa frase, achei-a inoportuna para o momento. Inapropriada. Fora de propósito. E sendo assim, ignorei-a. Simplesmente a deixei ir embora sem me preocupar se ela seria de novo vista.

Três meses depois ela passou de novo pela minha frente. Lembrei da primeira vez que ela veio. Eu estava no mesmo lugar, na mesma hora noturna. Novamente, tomei a mesma atitude. Deixei-a ir sem me preocupar. Mas, no fundo, eu sabia que se lhe desse importância, ela não iria embora assim tão fácil como fora na primeira vez. Ela ficaria tatuada na minha tela mental e me atormentaria a vida. Então, não pensei sobre ela. E não queria saber o porquê de ela estar me rondando. Disse para mim mesma que era uma assombração, um fantasma flanando sozinho e sem intenção de assustar ninguém. Só que dois meses depois, ela voltou e desta vez, fez uma pausa. Essa pausa, eu a senti dentro de mim. Foi um frio que correu meu corpo da cabeça aos pés. Três vezes, pensei, é para eu me preocupar. Já estava na hora de abrir os olhos. A partir daí, fiquei atenta caso ela aparecesse outra vez. Vieram as férias, eu relaxei e a frase sumira. No entanto, bastaram as férias acabarem e eu retornar ao trabalho para que ela voltasse. E, agora, com mais frequência. Então, no ano de 2012, logo após as férias, a frase passou a vir duas vezes por mês. No meio do ano, passou para três vezes. E já em dezembro, chegou a uma vez por semana.

A frase me dava medo. E cada vez que tentava entendê-la não encontrava explicação para sua existência. Não fazia sentido. Passei a me odiar por isso. Tive medo de enfrentá-la porque não sabia como lidar com ela. Não encontrava espaço na minha vida em que ela fizesse algum sentido. Mas ela estava lá me acompanhando silenciosamente e se aproximando de mim lentamente. Comecei a me sentir culpada porque se ela está no meu encalço é por algo que tenha a ver comigo. Da culpa veio o medo da frase ser uma verdade. Do medo, veio a angústia dessa possível verdade mental se tornar um perigo real, físico. E da angústia em não conseguir me livrar dela, em não saber como lidar com ela abertamente, veio a ansiedade. Até que um dia, sem esperar, o desespero tomou conta de mim e comecei a transbordar fragilidade para onde quer que eu fosse.

Eu estava consciente de que essa frase não era minha e não tinha saído da minha cabeça. Ao mesmo tempo, por desconhecimento, pensei que poderia estar enganada. A frase poderia ser meu próprio pensamento aprisionado no meu inconsciente. Um possível desejo que estaria querendo negar a mim mesma. Mas como discernir frente ao medo da verdade e a culpa em não a enfrentar? Talvez uma sessão de hipnose pudesse me fazer encontrar essas respostas. Procurei marcar logo uma consulta com um terapeuta que fosse especializado nessa prática. A primeira coisa que me disse, quando contei sobre a frase que viera a mim, foi que ela não era minha. Era um pensamento que não era meu. Eu fiquei aliviada, mas quis saber, então, de quem era. O terapeuta era espírita e sua resposta foi sucinta: são de espíritos que estão por toda parte. Eu fiquei um pouco confusa com esta revelação. Sei que existem, mas não penso que estejam ao meu redor o tempo todo. Acreditar que são espíritos que estão à minha volta soprando frases, me deixou arrepiada. Eu não queria acreditar nessa versão, mas, ao mesmo tempo, me confortava. Afinal, tirava de mim o peso da frase que me perturbava. Era melhor deixar que as coisas fluíssem e ir descobrindo aos poucos se isso tinha fundamento ou não.

Começamos um tratamento que durou seis meses. Durante os cinco primeiros meses nos preparamos para a sessão de hipnose, conversando muito sobre tudo o que me afligia e como eu me sentia. A aflição que não conseguia me desligar tinha a ver com aquela frase que eu não queria lembrar e que não tinha coragem de revelar para ninguém. No entanto, o terapeuta não se prendeu a ela para trabalhar nas consultas. Como essa frase não era um pensamento meu, isso já estava esclarecido, não havia por que continuarmos falando sobre ela. Eu respeitei o posicionamento dele e acreditei que era assim que tinha que ser. E que era assim que essa frase iria sumir de vez da minha vida.


 Finalmente, chegamos a um sentimento que expressava o que estava mais forte em mim naquele momento: culpa. Eu tinha um sentimento de culpa dentro de mim que não sabia explicar de onde vinha. Sem encontrar razões ou motivos aparentes para essa culpa, resolvemos fazer a hipnose a partir dela. Eu procuraria me deparar com aquele sentimento que me afligia e assim encontrar a sua origem na minha vida. Podia ter uma origem física, moral, emocional ou espiritual, não importa. Mas ela estaria sendo deflagrada nessa abordagem.

Por meio do relaxamento e da orientação do terapeuta, eu entraria num estado ampliado de consciência para ter acesso a um conteúdo mais profundo de mim mesma. Esse conteúdo pode vir simbolizado através de uma vivência na hipnose, que, dependendo da crença do paciente, pode ser uma memória de vida passada dele. E eu estava ansiosa por isso. Mas o sentimento que identificamos em mim, culpa, não me parecia ser a causa daquele pensamento que me incomodava. Ele não era meu e, no entanto, estava me perseguindo. Por quê?

No início da sessão de hipnose[1], fiquei recostada na poltrona e o terapeuta foi me orientando. Eu fiquei de olhos fechados enquanto ele começava a fazer a caminhada. Onde você está? Minha mente não conseguia divagar ao seu comando. Eu estava ainda entre as quatro paredes do consultório. O que você está vendo? O que você está sentindo? Tem alguém com você? Olhe para o seu lado direito, o que você vê? Ele fazia várias perguntas. Minhas respostas não saíam da mesmice. Eu não estou vendo nada. Não consigo sentir. Eu achava que seria mágico. Que era só fechar os olhos e veria tudo. Veria um cenário, outras pessoas, alguns comportamentos e enfim, meu sentimento de culpa. Mas estava difícil. Não é algo fácil. Até que cansada e com vontade de abrir os olhos e ir embora, resolvi encarar essa vivência como um exercício de imaginação. Vou falar qualquer coisa que me venha à mente, pensei. E assim, para a minha surpresa, a vivência aconteceu. Eu estava desconfortável no início, mas depois, imaginar antes de dizer o que estava vendo, funcionou. As imagens foram fluindo e consegui abrir esse portal da hipnose. Entretanto, acho que cada um deve forjar a sua própria chave para abri-lo. No meu caso, foi usar a imaginação primeiro sem me preocupar se o que eu fosse falar era certo ou errado. Se era real ou imaginário.

Ainda de olhos fechados, comecei a direcionar minha visão interna para instigar a imaginação. Fui eu mesma guiando minha atenção internamente e procurando me situar. Estou num lugar escuro (de olhos fechados, estava realmente tudo escuro) mas se virar os olhos para baixo, o que será que vejo? Se estivesse de olhos abertos, veria meus pés. Então, respirei fundo e virei os olhos para baixo, no escuro em que me encontrava. E comecei a entrar no jogo a que me propus. Visualizei uma pessoa em pé na qual tentava ver e sentir o que estava acontecendo com ela. Imaginei-a abaixando a cabeça na mesma hora em que eu virava meus olhos para baixo. Tentava ver com seus olhos e sentir com seu coração. Tentava me colocar dentro de seu corpo.

   Primeiro respondi à minha própria pergunta, o que vejo? Abri os olhos, na imaginação, e minha mente disse: vejo meus pés. Depois, fui respondendo às perguntas do terapeuta. Essa pessoa é você? Sim, sou eu, disse-lhe. Nesse momento, percebi que minha mente induzia a minha fala, mas ela seguia um cenário que me inspirava. Se de início era minha imaginação, aos poucos foi parecendo verdadeiro. Um real que eu poderia chamar de biovirtual[2]. Procurei ver e sentir o que estava acontecendo com aquela pessoa que eu visualizava. Ou seja, eu tentava ser ela, estar no corpo dela, olhar com os olhos dela e sentir com o coração dela. Ler seus pensamentos foi aos poucos criando um roteiro que ressoou com minha vida. Com meus medos, meus desafios atuais. Cheguei a um momento que não precisava mais usar a imaginação. As respostas fluíam. Eu não estava improvisando. Eu estava sentindo como era ser e viver no corpo daquela mulher que imaginara no início. Então, a partir de agora, vou falar como se eu fosse ela.

Eu era uma mulher de quase 30 anos e usava uma roupa surrada, gasta com o passar do tempo. Parecia uma camponesa, mas vivia numa cidade rústica de uns três séculos atrás. Eu estava na sala de uma casa que não era minha. Era um lugar que eu devia me preocupar porque era uma casa sem dono, mas que uma gangue a ocupava todas as noites. Essa gangue costumava intimidar as pessoas e a agir sem piedade. Sim, era uma gangue que também matava os outros por qualquer motivo. Ela dominava as ruas. O poder local não atuava. Era como se essa cidade vivesse sem guardas. Sem leis. À mercê dos mais fortes. Então, por que eu estava ali se era perigoso? O que estava fazendo ali? Eu estava na frente de um homem. Ele era mais alto do que eu. Era um homem com valores muito fortes e rígidos. Ele era inflexível. Eu estava implorando para ele sair dali comigo. Mas estava determinado a ficar na casa esperando a gangue chegar. Eu dizia que ele iria morrer. Chorei pedindo a ele para mudar de ideia. Ele não se compadeceu do meu choro, do meu desespero. Aquela não era a melhor forma de resolver o assunto, eu dizia para ele. Mas que assunto, o terapeuta perguntou. A gangue matara o irmão mais novo dele. E estava lá para tirar satisfação, cobrar, se vingar, honrar a morte do irmão que não pudera proteger. Eu dizia a ele que a morte também seria o seu fim. Mas estava determinado. Irredutível.

Meu choro era um choro de culpa. E aí encontro o sentimento de culpa que gerou essa vivência. Por que esse sentimento, pergunta o terapeuta. Respondo que havia descoberto que o chefe da gangue havia assassinado o irmão daquele homem que estava à minha frente. Eu que contara para ele que o motivo da morte do seu irmão fora por drogas que comprara da gangue e não pagara. Então, estava me sentindo culpada por haver contado a verdade e este homem iria morrer por minha causa. Minhas palavras o levariam para a morte, por isso, o meu desespero.

E este homem à sua frente, o que ele é seu, pergunta o terapeuta.

Olhei para aquele homem à minha frente e não consegui sentir amor. Ao mesmo tempo, ele era um companheiro de vida. Daquela vida. Não era um parente de sangue, mas era alguém que vivia ao meu lado. Tínhamos uma vida em comum. Mas não tinha amor por ele. Penso hoje, que a questão do amor, se é que existia, tenha se apequenado pela iminência do risco de vida que ele corria naquele momento ser maior do que tudo. E, na vivência, a emoção mais forte teria prevalecido. Diante da resistência dele, só tinha uma coisa a fazer: ir embora. Eu não queria ir, mas o tempo estava se esgotando. Tampouco podia ficar porque se ficasse, antes que me matassem, iria sofrer muita violência. Mesmo sentindo culpa, me afastei. E já a poucos metros afastada, como se já estivesse no outro lado da rua, vejo a gangue chegando. Era uma turba. Homens brutos. Estúpidos. Assassinos. E eles entraram na casa. E eu senti que nada mais podia ser feito. Sinto que não fiquei lá muito tempo pois tinha medo de ver o que previra. Acreditando já estar feito o que temia, fui embora. Ele morrera, pensei.

O terapeuta pergunta: e o que aconteceu depois?

O dia tinha amanhecido e eu estava a andar pela cidade quando vejo algumas pessoas juntas ao redor de um corpo estendido no chão. Me aproximo e constato que era o homem que eu tentara impedir que se lançasse à morte na noite anterior. Era ele. Acabara tudo. Estava morto. E alguém pergunta entre as pessoas que estavam ali, quem era este homem, alguém o conhecia? Imediatamente lembrei que a verdade matara o homem que era o único naquela vida com quem eu vivia. Não consegui dizer quem ele era. Outra verdade não poderia sair de minha boca. Seria mais um veneno a matar outro semelhante. Então, me calei diante da verdade. Omitir seria mais fácil. Dizer a verdade doía pois implicava na morte de alguém.

Nesse momento da vivência, ressoou em mim um sentimento forte de me calar quando sou confrontada com uma verdade, na minha vida. Era algo que já tinha percebido no meu cotidiano e que, nesse momento da vivência, estava sentindo o medo com toda a sua intensidade. Foi uma sincronia de sentidos da minha vida atual com a vivência. Meu medo atual se encaixou na história que estava narrando e deu um sentido de existência a ele. O medo de falar a verdade era uma realidade minha. O medo de falar a verdade na vivência, não só doía como implicava em morte. Um medo despertava o outro e eu queria dizer isso na hora em que estava sentindo para o terapeuta, mas não consegui expressar em palavras. Lembro de ter a sensação, naquele momento, de ser julgada por mim mesma se a verdade deveria ser mesmo proferida, posto que ela machucava as pessoas. E eu não queria machucá-las. Me senti injusta com aquele homem estirado no chão e arrependida pelo que acabara de fazer, me calar.

Com o coração doendo, diante da cena em que me omiti, dei dois passos para trás e me afastei. Comecei a andar sem rumo. Não tinha lugar para ir ou que quisesse ficar. Não tinha mais vontade de viver. Estava triste, sem ânimo, sem vida. E a caminhada não terminava. Eu andava dia e noite. Alguns dias depois, já cansada, sem comer, sem beber e sem rumo, parei no meio de uma ponte. Embaixo corria um rio e ele me chamava. Acreditei que se me deixasse levar pelo chamado do rio, que se fechasse os olhos e inclinasse meu corpo fraco e debilitado em sua direção, eu encontraria um alento. Novamente, sinto ressoar dentro de mim os sentimentos que estava descrevendo na vivência. Eu já tinha passado por momentos na vida em que me sentia sem rumo, sem ânimo e a primeira saída que pensava era se a morte me caía bem naquela hora. A angústia e a solidão que pensamentos suicidas provocam invadiram meu peito e eu quis chorar. Imediatamente, procurei focar minha atenção na história da vivência. Então, já me vendo nela, sem muito pensar, porque já não existia razão para viver, deixei o corpo ser levado para baixo e caí no rio. Não ofereci resistência à água. Deixei-me afogar. Senti a água entrando pelo meu nariz e aos poucos invadindo meus pulmões. Eu não tinha forças para reagir. Fui afundando e sendo levada por uma correnteza suave e fria. Me vi perto de peixes. Eles esbarravam em mim. Peixes vivos e mortos. A textura de suas peles me incomodava. O cheiro deles, das algas e de tudo que estava debaixo da água me enjoava.

E agora, pergunta o terapeuta, valeu a pena?

Não, respondo. Não valeu ter me deixado cair da ponte. Eu o fiz sem pensar muito. Eu simplesmente estava sem sentir nada pela vida. Sem sentir nada dentro de mim. Talvez já estivesse morta e só queria encontrar um lugar para ficar. Eu me deixei levar para dentro do rio e o homem que tentei impedir que morresse, consigo visualizá-lo como espírito à espera do meu desencarne. Consigo sentir seus pensamentos. Ele me viu morrendo vitimada pela sua própria resistência em não atender ao meu pedido para fugir comigo daquela casa. Ele também viu que a irredutibilidade dele não lhe trouxe alento. Morreu por uma causa, mas esta causa já estava perdida pois o que o acometia era o seu orgulho. E esse mesmo orgulho não tirou só a sua vida, mas a minha vida também. Eu caí no rio me sentindo culpada e minha culpa maior foi descobrir que dentro de mim crescia uma vida. Vida esta que também tirei sem saber de sua existência. Só mais tarde, no desencarne, como espírito, quando abri os olhos diante do cenário que me acometeu, descobri que a verdade que proferi matou três pessoas.

Nessa hora, eu queria muito chorar porque era isso que meu corpo pedia, mas fiquei com vergonha de fazê-lo na frente do terapeuta. Então, segurei minhas lágrimas e esperei o seu comando para finalizar a vivência. Ele ainda me perguntou se eu queria voltar a essa vivência uma outra vez. Respondi-lhe que não. Eu queria sair daquela situação. Mais um pouco e iria cair em prantos. Precisava sair dali correndo para entender tudo o que vivera naquela última hora. Foram muitas emoções, mas naquele momento não consegui expressar tudo o que estava acontecendo dentro de mim.

A vivência que começara como um jogo de imaginação me surpreendeu. Ela foi capaz de me levar a uma história que me tocou profundamente. Que mexeu com sentimentos que carregava nessa vida atual. A culpa, o medo de dizer a verdade por mais verdadeira que fosse, o desânimo pela vida, a vontade de findá-la e a repulsa por alimentos que viessem da água como peixe, crustáceos e mariscos. Saí confusa da sessão. Será que criei toda a história para justificar meus próprios sentimentos, medos e angústias ou será que esta história foi uma vida passada que tive? Tudo ressoou dentro de mim. E ainda, aquela frase que outrora me atormentava, agora estava calada. Diminuída diante de tantas emoções que acabara de viver.

Nas sessões seguintes me convenci de que o que eu estava passando era algo orgânico. Havia entrado na menopausa muito cedo e isso devia estar fazendo um estrago no meu organismo. Aquele pensamento que fora o motivo pelo qual procurei fazer uma hipnose, não era meu. Se era de algum espírito, não sei, mas me convenci de que não era meu e que jamais se encaixaria na minha vida. E a vivência, não tinha nada a ver com aquele pensamento. Então, pensei, se meu problema era orgânico, não tem por que continuar procurando explicações no meu inconsciente ou em regressão de memórias. Vou me tratar com um médico, deduzi. E terminei a terapia poucas consultas depois daquela vivência.




[1] A prática da hipnose deve ser realizada por um terapeuta capacitado. O conteúdo de indução ao transe hipnótico e de acompanhamento dele, apresentado aqui, não está em sua integralidade, portanto, não deve ser imitado.

[2] Uma forma de vida que existe como informação.

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Santa Beatriz da Silva


Santa Beatriz da Silva foi a fundadora da Ordem da Imaculada Conceição. Uma Ordem de clausura feminina, ligada à Igreja Católica. Inicialmente, essa Ordem seguia a Regra de São Bento, depois a Regra de Santa Clara de Assis até a aprovação de uma Regra própria, que aconteceu em 1511.
Beatriz nasceu em 1426, na vila de Campo Maior, em Portugal, e, quando jovem, serviu de dama de companhia da sua prima Isabel, futura rainha de Portugal. Com o tempo, já morando no palácio, Beatriz passou a chamar mais atenção do que Isabel, por ser mais bonita e mais gentil. Isabel, tomada por inveja, a trancou num baú para que morresse por falta de ar. Passados três dias, o pai de Isabel, notando o sumiço da sobrinha, questionou a filha. Esta, resolveu abrir o baú na certeza de encontrar Beatriz morta. Mas, o que encontrou, foi uma Beatriz com perfeita saúde pois havia pedido ajuda à Virgem Maria. Segundo Beatriz, Maria teria lhe feito um pedido: fundar uma ordem religiosa para celebrar a virgem imaculada que concebeu Jesus, dando o nome de Ordem da Imaculada Conceição.
Santa Beatriz, depois desse episódio, perdoou a prima Isabel e decidiu viver no mosteiro de Santo Domingo de Silos, em Toledo, na Espanha, para se preparar na missão de criar uma Ordem religiosa. A Ordem da Imaculada Conceição foi fundada em 1489. Mas, três anos mais tarde, em 1492, Beatriz adoeceu.
No seu leito de morte, quando o padre levantou o véu do seu rosto para lhe dar a Extrema Unção, todos os presentes viram com assombro raios de luz emanando de Beatriz. Os raios saíam de um estrela que se fixara na testa da enferma e que ali ficou até seu último suspiro de vida.

Foi beatificada pelo Papa Pio XI, em 1926, e canonizada cinquenta anos depois, em 1976, pelo Papa Paulo VI. Sua festa litúrgica acontece dia 17 de julho em Portugal e na Espanha e no dia 1o. de setembro, no Brasil. 

segunda-feira, 31 de agosto de 2020


Santo Edano foi um bispo e monge irlandês que restaurou o cristianismo em Nortúmbria, na região norte da Inglaterra, no século VII.  
O rei Oswaldo, da Nortúmbria, queria difundir o cristianismo em suas terras e conter a expansão pagã. Para isso, pediu ao mosteiro da ilha de Iona, na Escócia, que lhe enviasse um monge com a missão de converter novos cristãos. Edano foi convocado para a tarefa e escolheu, para ser a sede de sua diocese, a ilha de Lindisfarne, que ficava próxima à fortaleza real de Bamburgo.
Edano chegou à Nortúmbria por volta do ano 635 e aos poucos, as comunidades foram se convertendo ao cristianismo. Mas em 651, um exército pagão atacou Bamburgo tentando incendiar as suas muralhas. Edano teria rezado pedindo a proteção divina para afastar os invasores. De repente, a direção do vento mudou fazendo com que a fumaça e o fogo fossem na direção do inimigo. Isso os fez recuar e abandonar o ataque. Por esse episódio, Santo Edano se tornou padroeiro dos bombeiros.
Faleceu no dia 31 de agosto, em 651. É venerado também como padroeiro de Nortúmbria.


domingo, 30 de agosto de 2020

Santa Narcisa de Jesus


Santa Narcisa de Jesus mostra um caminho de perfeição cristã e oferece um exemplo de uma vida dedicada a Deus e aos irmãos, nas palavras do Papa Bento XVI, quando a canonizou em 12 outubro de 2008.
Narcisa nasceu em 1832 numa família católica e abastada financeiramente. Moravam numa fazenda no povoado de Nobol, província de Guaias, no Equador. Sua mãe faleceu quando Narcisa tinha 4 anos de idade. Com a ajuda de uma professora particular e de sua irmã mais velha, aprendeu a ler, escrever, tocar violão e até a cozinhar. E mesmo sendo pequena, era a sexta de nove irmãos, ajudou a cuidar dos irmãos mais novos e mais tarde a educa-los.
Quando fez sete anos, foi crismada e passou a dedicar longas horas do seu dia à oração. Havia uma goiabeira perto da fazenda onde costumava passar horas sob a sua sombra rezando. Seu pai vendo a dedicação com que Narcisa se debruçava a oração, reservou um dos aposentos da casa para que servisse de “capela”. Narcisa colocou ali uma imagem esculpida em madeira, do menino Jesus.
Aos 15 anos de idade, aprendeu a costurar, arte pela qual desenvolveu o domínio de tecer e bordar. Costurava para sua família e também na casa dos vizinhos. Mais tarde, todo o dinheiro que ganharia com as costuras e os bordados, seria doado para os pobres e desafortunados.
Três anos depois, seu pai faleceu e Narcisa se mudou para Guayaquil onde viviam alguns parentes. A casa onde foi morar ficava ao lado da catedral e foi onde passou a trabalhar dando aulas de catecismo para crianças e jovens. Se desfez de seus bens materiais herdados da família para ajudar os necessitados.
     Também foi nessa cidade que Narcisa encontrou uma amiga de infância, Mercedes Molina, e passou a ajudá-la na tarefa de cuidar de um orfanato. Narcisa além de participar na formação das crianças, também confeccionou as indumentárias delas.
Durante toda a sua vida, a dedicação que tinha à oração, penitência e caridade, a fez ser convidada, em 1868, a morar num convento dominicano em Patrocínio, em Lima, no Peru. Foi nesse convento que, tendo intensificado suas orações e penitências, teve uma visão de Jesus lhe mostrando seu coração e dizendo: Jamais concedi igual graça a uma alma.
No ano seguinte, Narcisa novamente vislumbrou não só Jesus, mas também Nossa Senhora. Eles lhe pediram que manifestasse alguma graça que desejasse obter. Narcisa pediu pelos mais necessitados e também rogou que fosse logo para o Céu. E foi após essa revelação, que Narcisa, então com 37 anos de idade, ficou doente e faleceu em poucos mais de dois meses.
Após a sua morte, ficaram conhecendo a verdadeira vida que Narcisa levava na reserva de sua cela, como eram chamados os quartos dos religiosos. Ela tinha feito voto privado de castidade perpétua, pobreza, obediência, clausura, jejum de pão e água, comunhão diária, confissão, mortificação e oração. Os médicos que a assistiram nos seus últimos dias, ficaram surpreendidos de que tivesse vivido com tão pouco alimento por tanto tempo.
Narcisa foi beatificada em 25 de outubro de 1992 pelo Papa João Paulo II e canonizada em 12 de outubro de 2008 pelo Papa Bento XVI. É a terceira santa equatoriana. O dia da sua festa litúrgica é 30 de agosto.


sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Santa Sabina de Roma


Sabina de Roma viveu numa época em que os cristãos só eram martirizados se fossem denunciados. Filha de Herodes Metalário e viúva do senador Valenciano, Sabina se converteu ao cristianismo ouvindo as histórias que sua escrava, Seráfia, lhe contava. As duas também saíam à noite para ir às catacumbas, como chamavam os cemitérios daquela época, para estar com os cristãos que se reuniam clandestinamente para não serem vistos.
De acordo com a história, Seráfia acabou sendo denunciada e presa para ir a julgamento. Ela deveria fazer uma homenagem aos deuses romanos para que a denúncia contra ela fosse anulada e ela ficasse livre. Mas a serva se recusou. Foi, então, entregue a dois algozes para que abusassem dela. Mas sem que eles esperassem, foram acometidos por uma dor terrível que os fez cair doentes. Seráfia foi chamada de bruxa e por isso, apedrejada até a morte. Sabina conseguiu levar o corpo de sua serva para ser enterrado no mausoléu de sua família. O prefeito Elpídio descobriu o que Sabina fez e a acusou de ser cristã. Sabina foi presa e interrogada. Ela também rejeitou os deuses romanos e exaltou a sua fé no cristianismo.
Foi então morta no dia 29 de agosto, do ano 125, e canonizada mais tarde. Ela é representada com um livro e uma folha de palma nas mãos e uma coroa na cabeça.

São Moisés, o Negro


São Moisés, o Negro, foi um hieromonge que viveu no Egito, no século IV. Nasceu em 330, em Axum, no Egito.
Ele era um servo que foi acusado pelo seu patrão de ter cometido um assassinato na propriedade em que trabalhava. Para não ser preso, fugiu e passou a viver na marginalidade. Como seu porte favorecia, era alto e forte, passou a cometer pequenos roubos para poder se alimentar e sobreviver.
Conta a história que em um desses roubos, um cachorro o viu e começou a latir chamando a atenção do seu dono. Para não ser pego, saiu correndo enquanto era perseguido. Correu tanto que quando se deu conta, havia entrado no deserto. Durante sua fuga, se deparou com alguns monges do Mosteiro Paromeu. Foi convidado a ficar com eles e conhecendo de perto a vida monástica de dedicação e paz, se tornou cristão. Abandonou a antiga vida na marginalidade. Foi batizado e se uniu à comunidade.
Em uma ocasião, já como monge, Moisés provou que fizera a escolha certa. Ele  foi atacado por um grupo de ladrões e reagindo contra eles, os prendeu levando-os até os monges para saber o que deveria fazer nesses casos. Agora que era um cristão, sabia que não podia ferir o próximo e contou a sua história de que antes de se tornar um monge, foi um líder de uma gangue de marginais assim como eles. Os ladrões, vendo como Moisés havia se transformado em outro homem, se inspiraram nele e também se converteram passando a viver no mesmo mosteiro.
No ano 405, quando estava com 75 anos de idade, correu a notícia que de o mosteiro seria atacado por bárbaros. Moisés pediu para que os monges fugissem enquanto ele ficaria. Ele disse: quem viveu pela espada deve morrer por ela. Seis monges resolveram ficar com Moisés e infelizmente, todos os que ficaram no mosteiro foram mortos.
É venerado nas igrejas ortodoxa, ortodoxa oriental, católica romana, comunhão anglicana e no luteranismo. Sua festa litúrgica acontece no dia 28 de agosto para as igrejas católicas romanas e as ortodoxas.

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Santa Monica de Hipona

Santa Monica de Hipona, foi mãe de Santo Agostinho. Ela representa aquela mãe que não desiste de salvar um filho que está na erraticidade.
Segunda a história, Monica era uma mulher muito religiosa e orava para que sua família, marido e três filhos, se convertesse ao cristianismo.
Seu marido era pagão e se comportava de forma rude com ela. Apesar de ter sido muito ultrajada, rezava para vê-lo cristão. E conseguiu. Mas Agostinho, o filho mais velho, vivia uma vida de vícios e de pecados mundanos. Mesmo assim, ela nunca parou de rezar por ele. Até mesmo quando o proibiu de entrar em casa, para ensiná-lo a ter responsabilidades nesse mundo, deixou de pedir a sua conversão.
Após 30 anos rezando sem desanimar, suas preces foram ouvidas pois Agostinho se transformou num santo que influenciou todo o Ocidente cristão. Em uma de suas obras, Santo Agostinho citou sua mãe escrevendo: "ela foi o meu alicerce espiritual, que me conduziu em direção da fé verdadeira. Minha mãe foi a intermediária entre mim e Deus."
Santa Mônica faleceu no ano 387, aos 56 anos. Foi canonizada pelo Papa Alexandre lll, por ter sido a responsável pela conversão de Santo Agostinho, ensinado a fé cristã, a moral e a mansidão. É padroeira das Associações das Mães Cristãs e sua festa litúrgica é comemorada no dia 27 de agosto.

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Melquisedeque, Rei da Justiça

Melquisedeque é um personagem bíblico que teria vivido após o Dilúvio e durante a época de Abraão. A Bíblia se refere a ele como um sábio rei de Salém, cidade que mais tarde ficou conhecida como Jerusalém.

Em hebraico, Melquisedeque significa “rei da justiça”. Também foi chamado de rei de paz e “sacerdote do Deus Altíssimo”.
É venerado no judaísmo, na Igreja Católica e Ortodoxa Oriental, na Comunhão Anglicana, mormonismo, luteranismo e islamismo. Seu dia festivo é 26 de agosto.
Veja algumas referências de Melquisedeque na Bíblia:
Abraão pagou dízimos a Melquisedeque, Gên. 14:18-20
O povo de Melquisedeque viveu em retidão e obteve o céu, TJS, Gên. 14:25-40
Cristo foi um sumo sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, Heb. 5:6.
Ninguém foi maior do que Melquisedeque, Heb. 7:1-3.

terça-feira, 25 de agosto de 2020

São Genésio de Roma


São Genésio de Roma foi um comediante no século III que se converteu ao cristianismo enquanto parodiava uma cena cristã para o imperador Diocleciano. Genésio era ator profissional, e além de atuar para o imperador , também liderava um grupo de teatro.
De acordo com a história, Genésio ridicularizava a fé cristã quando, no momento em que fazia o sacramento do batismo, foi tocado por Cristo e se converteu. Diocleciano achou a encenação realista demais e questionou o ator, que imediatamente se proclamou cristão.
O imperador não aceitou e ordenou que voltasse a cultuar os deuses pagãos. Genésio não aceitou e foi torturado defendendo o cristianismo. Morreu enquanto clamava “Não há outro rei senão Cristo”.
É padroeiro dos atores, músicos, humoristas e advogados. E invocado também contra a epilepsia. Sua festa litúrgica acontece no dia 25 de agosto.


segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Oxumaré e o Arco-Íris


Oxumaré é uma divindade de origem africana e muito cultuada nas religiões afro-brasileiras. Ele é representado nas figuras de um arco-íris ou de uma serpente. Suas cores são o amarelo e o verde que podem ser inspiradas para uso nas vestimentas ou nos acessórios como colares e pulseiras.
Suas principais características são a mobilidade e a atividade, o que faz com que suas funções sejam dirigir o movimento, as mudanças e as transformações. Ele é a renovação contínua em todos os aspectos e sentidos da vida.
Sua faceta como arco-íris o faz ligar céu e terra, quando há sol e chuva ao mesmo tempo. Ele também representa a riqueza e a fortuna, assim como o pote de ouro no final do arco-íris.
Na Bahia, Oxumaré é sincretizado com São Bartolomeu, cujo dia de festejo é 24 de agosto.
Se você deseja transformações em sua vida ou ganhos inesperados de dinheiro, podendo ser até um novo trabalho, acenda uma vela de sete cores para Oxumaré às segundas-feiras. Faça seu pedido e reze 7 Pais-nossos depois.

domingo, 23 de agosto de 2020

10 Qualidades de Inteligência Espiritual

Dez qualidades de pessoas que possuem Inteligência Espiritual:

1. Praticam e estimulam o autoconhecimento profundo.
2. São conduzidas por valores humanos. São idealistas e creem na vida.
3. Têm capacidade de encarar desafios e utilizar a adversidade a seu favor.
4. São holísticas – têm a visão do todo integrado e a percepção da unidade.
5. Celebram a diversidade como fonte de beleza e aprendizado.
6. Têm independência de pensamento e comportamento.
7. Perguntam sempre “por quê?” e “para que”. São agentes de transformações.
8. Têm capacidade de colocar as coisas e os temas num contexto mais amplo.
9. Têm espontaneidade de gestos e atitudes, e são equilibradas emocionalmente.
10. São sensíveis, fraternas e compassivas.

Lista de Dana Zohar em entrevista à Revista Exame adaptada por Portal Zen Daat

sábado, 22 de agosto de 2020

O Ponto de Deus no Cérebro

Os cientistas descobriram que unir as mãos, olhar para cima ou se ajoelhar, são movimentos que ativam no cérebro áreas importantes para nos conectar com um sentido de espiritualidade dentro de nós. Com o que eles passaram a chamar de “o ponto de Deus em nós”.  

Quando ativadas, essas áreas produzem um turbilhão de hormônios, como gaba e oxitocina. E por meio dessas ligações neurais a pessoa é capaz de desenvolver um sentido de vida, fundamental para a produção de energia motivacional. Essa energia que nos ajuda a lidar com situações de tensão, estresse ou desânimo em nossas vidas. 

O ponto de Deus no cérebro não tem a ver com uma religião específica, mas com a inteligência espiritual. E, segundo os pesquisadores, é algo que todos nós temos. 

É como se Deus estivesse dentro de nós esperando para ser ativado no momento de necessidade espiritual ou busca de equilíbrio emocional.

Ative o ponto de Deus em você. 

Olhe para cima. Levante a cabeça. Una suas mãos.

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