segunda-feira, 6 de maio de 2013

Recebendo Assistência.


(...) - Não será esta região um departamento celestial dos eleitos?

Lísias sorriu e explicou:

– Recordemos o antigo ensinamento que se refere a muitos chamados e poucos escolhidos na Terra.

E vagueando o olhar no horizonte longínquo, como a fixar experiências de si mesmo no painel das recordações mais íntimas, acentuou:

– As religiões, no planeta, convocam as criaturas ao banquete celestial. Em sã consciência, ninguém que se tenha aproximado, um dia, da noção de Deus, pode alegar ignorância nesse particular. Incontável é o número dos chamados, meu amigo; mas, onde os que atendem ao chamado? Com raras exceções, a massa humana prefere aceder a outro gênero de convites. Gasta-se a possibilidade nos desvios do bem, agrava-se o capricho de cada um, elimina-se o corpo físico a golpes de irreflexão. Resultado: milhares de criaturas retiram-se diariamente da esfera da carne em doloroso estado de incompreensão. Multidões sem conta erram em todas as direções nos círculos imediatos à crosta planetária, constituídas de loucos, doentes e ignorantes.

Notando-me a admiração, interrogou:

– Acreditaria, porventura, que a morte do corpo nos conduziria a planos de milagres? Somos compelidos a trabalho áspero, a serviços pesados e não basta isso. Se temos débitos no planeta, por mais alto que ascendamos, é imprescindível voltar, para retificar, lavando o rosto no suor do mundo, desatando algemas de ódio e substituindo-as por laços sagrados de amor. Não seria justo impor a outrem a tarefa de mondar o campo que semeamos de espinhos, com as próprias mãos.

Abanando a cabeça, acrescentava:

– Caso dos muitos chamados, meu caro. O Senhor não esquece homem algum; todavia, raríssimos homens o recordam. (...)

Livro: Nosso Lar, pelo espírito André Luiz, de Francisco Candido Xavier.

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