sábado, 18 de maio de 2013

Em Casa de Lísias.


(...) – Está proibido de falar em agradecimentos. Não o faça. Obrigar-me-ia a lembrar, de repente, muitas frases convencionais da Terra...

Rimo-nos todos e murmurei, comovido:

– Que o Senhor traduza meu agradecimento a todos em renovadas bênçãos de alegria e paz.

Entramos. Ambiente simples e acolhedor. Móveis quase idênticos aos terrestres; objetos em geral, demonstrando pequeninas variantes. Quadros de sublime significação espiritual, um piano de notáveis proporções, descansando sobre ele grande harpa talhada em linhas nobres e delicadas. Identificando-me a curiosidade, Lísias falou, prazenteiro:

– Como vê, depois do sepulcro não encontrou ainda os anjos harpistas; mas aí temos uma harpa esperando por nós mesmos.

– Oh! Lísias - atalhou a palavra materna, carinhosa -, não faças ironia. Não te recordas como o Ministério da União Divina recebeu o pessoal da Elevação, no ano passado, quando passaram por aqui alguns embaixadores da Harmonia?
– Sim, mamãe; mas quero apenas dizer que os harpistas existem, e precisamos criar audição espiritual, para ouvi-los, esforçando-nos, por nossa vez, no aprendizado das coisas divinas. (...)
Sentamo-nos, silenciosos, em torno de grande mesa.

Ligado um grande aparelho, fez-se ouvir música suave. Era o louvor do momento crepuscular. Surgiu, ao fundo, o mesmo quadro prodigioso da Governadoria, que eu nunca me cansava de contemplar todas as tardes, no parque hospitalar. Naquele momento, porém, sentia-me dominado de profunda e misteriosa alegria. E vendo o coração azul desenhado ao longe, senti que minh’alma se ajoelhava no templo interior, em sublimes transportes de júbilo e reconhecimento.

Livro: Nosso Lar, pelo espírito André Luiz, de Francisco Candido Xavier.

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