sábado, 4 de maio de 2013

A Oração Coletiva.


Aquela melodia renovava-me as energias profundas. Levantei-me vencendo dificuldades e agarrei-me ao braço fraternal que se me estendia. Seguindo vacilante, cheguei a enorme salão, onde numerosa assembleia meditava em silêncio, profundamente recolhida. Da abóbada cheia de claridade brilhante, pendiam delicadas e flóreas guirlandas, que vinham do teto à base, formando radiosos símbolos de Espiritualidade Superior. Ninguém parecia dar conta da minha presença, ao passo que mal dissimulava eu a surpresa inexcedível. Todos os circundantes, atentos, pareciam aguardar alguma coisa. (...)

Obedecendo a processos adiantado de televisão, surgiu o cenário de templo maravilhoso. Sentado em lugar de destaque, um ancião coroado de luz fixava o Alto, em atitude de prece, envergando alva túnica de irradiações resplandecentes. No plano inferior, setenta e duas figuras pareciam acompanha-lo em respeitoso silêncio. (...)

As setenta e duas figuras começaram a cantar harmonioso hino, repleto de indefinível beleza. A fisionomia de Clarêncio, no círculo dos veneráveis companheiros, figurou-se tocada de mais intensa luz. O cântico celeste constituía-se de notas angelicais, de sublimado reconhecimento. pairavam no recinto misteriosas vibrações de paz e de alegria e, quando as notas argentinas fizeram deliciosos staccato, desenhou-se ao longe, em plano elevado, um coração maravilhosamente azul(1), com estrias douradas. Cariciosa música em seguida, respondia aos louvores, procedente talvez de esferas distantes. Foi aí que abundante chuva de flores azuis se derramou sobre nós; mas, se fixávamos os miosótis celestiais, não conseguíamos detê-los nas mãos. As corolas minúsculas desfaziam-se de leve, ao tocar-nos a fronte, experimentando eu, por minha vez, singular renovação de energias ao contato das pétalas fluídicas que me balsamizavam o coração.  (...)

(1). Imagem simbólica formada pelas vibrações mentais dos habitantes da colônia.

Livro: Nosso Lar, pelo espírito André Luiz, de Francisco Candido Xavier.

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