quinta-feira, 22 de março de 2012

Panteísmo.

Do Livro dos Espíritos: Livro I : As Causas Primárias - Capítulo 1 – Deus

IV – Panteísmo.

14. Deus é um ser distinto, ou seria, segundo a opinião de alguns, a resultante de todas as forças e de todas as inteligências do Universo reunidas?

— Se assim fosse, Deus não existiria, porque seria efeito e não a causa; ele não pode ser, ao mesmo tempo, uma e outra.

— Deus existe, não o podeis duvidar, e isso é o essencial. Acreditai no que vos digo e não queirais ir além. Não vos percais num labirinto de onde não poderíeis sair. Isso não vos tornaria melhores, mas talvez, um pouco mais orgulhosos, porque acreditaríeis saber, quando na realidade nada saberíeis. Deixai, pois, de lado, todos esses sistemas; tendes que vos desembaraçar de muitas coisas que vos tocam mais diretamente. Isto vos será mais útil do que querer penetrar o que é impenetrável.

15. Que pensar da opinião segundo a qual todos os corpos da Natureza, todos os seres, todos os globos do Universo seriam partes da Divindade e constituiriam, pelo seu conjunto, a própria Divindade; ou seja, que pensar da doutrina panteísta?

— Não podendo ser Deus, o homem quer pelo menos ser uma parte de Deus.

16. Os que professam essa doutrina pretendem nela encontrar a demonstração de alguns dos atributos de Deus. Sendo os mundos infinitos, Deus é, por isso mesmo, infinito; o vácuo ou o nada não existindo em parte alguma, Deus está em toda a parte; Deus estando em toda parte, pois que tudo é parte integrante de Deus, dá a todos os fenômenos da Natureza uma razão de ser inteligente. O que se pode opor a este raciocínio?

A razão. Refleti maduramente e não vos será difícil reconhecer-lhe o absurdo.

Comentário de Kardec: Esta doutrina faz de Deus um ser material que, embora dotado de inteligência suprema, seria em ponto grande aquilo que somos em ponto pequeno. Ora, a matéria se transformando sem cessar. Deus, nesse caso, não teria nenhuma estabilidade e estaria sujeito a todas as vicissitudes e mesmo a todas necessidades da Humanidade; faltar-lhe-ia um dos atributos essenciais da Divindade: a imutabilidade. As propriedades da matéria não podem ligar-se à idéia de Deus, sem que o rebaixemos em nosso pensamento, e todas as sutilezas do sofisma não conseguirão resolver o problema da sua natureza íntima. Não sabemos tudo o que ele é, mas sabemos aquilo que não pode ser, e este sistema está em contradição com as suas propriedades mais essenciais, pois confunde o criador com a criatura, precisamente como se quiséssemos que uma máquina engenhosa fosse parte integrante do mecânico que a concebeu.

A inteligência de Deus se revela nas suas obras, como a de um pintor no seu quadro; mas as obras de Deus não são o próprio Deus, como o quadro não é o pintor que o concebeu e executou.

Esse é um trecho do Livro dos Espíritos, primeiro Livro da Codificação Espírita feita por Allan Kardec, que estará sendo postado aos poucos no Blog Agenda Esotérica.

3 comentários:

  1. Olá!
    O texto nos faz pensar e refletir:
    .... o quadro não é o quem o pintou..As obras de Deus não são o próprio Deus....
    Li, reli e achei difícil....
    Bjs

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  2. Vera, bom dia!

    A última frase quer dizer Deus não pode criar a si mesmo, por isso só exite um Deus e não vários deuses. Ele está se referindo a doutrina Panteísta que cultua vários deuses.

    Se Deus criasse outros deuses, seria Deus também um resultado, um efeito. E Deus é causa primeira. Não pode haver outras, se não, não seria Deus.

    Espero ter te ajudado...
    bjs.

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    Respostas
    1. Na verdade Cecile Az você se equivoca em um aspecto. O panteísmo não cultua vários deuses mas o divino como parte de um todo, onde este todo é em si divino.
      Na verdade o texto acima, nada mais é do que uma critica ao panteísmo, que compreende o divino como parte de si e o todo material ao mesmo tempo, sendo nós, também, partes integrantes de deus.
      Kardec, porem, nos diz que para compreender deus neste perspectiva, teríamos que rebaixa-lo ao mutável, eximindo a divindade, portanto, de uma característica que a faz divina. Contudo, é mister afirmar que somente podemos observar o descrito, nesta perspectiva, se compreendermos a imagem de deus como a descrição do deus judaico-islâmico-cristão cuja definições são predefinidas e exatas. Mas em contrapartida, a própria definição de deus utilizadas por estas designações é em si contraditória e impossível, sendo elas anulatórias entre si.
      Espero ter ajudado na compreensão
      Paz e sabedoria a todos

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